Por Cristiano Manhães
(Depoimento sobre sua participação
– e vitória – no triathlon realizado em 05/03/2017 na Base Aérea de São Paulo – BASP,
Guarulhos, SP. Campeão na categoria 20-29 anos Sprint.)
Viajamos – minha
mãe e eu – em torno de 430 km rumo a Guarulhos. Planejamos pegar a estrada 4 da
manhã, mas perdemos a hora e fomos 09h30; fora uma viagem muito tranquila, ao
todo 6h30 com uma parada de 30 minutos. Ficamos hospedados numa pousada muito
agradável e confortável ao lado da cabeceira do maior aeroporto da América Latina
– GRU, em Guarulhos/SP. Isso foi um perigo (risos).

Programei para
dormir às 22h00min, pois queria acordar cedo e já ir despertado para a
competição (afinal segundo pesquisas o corpo demora 2hrs para, realmente,
acordar). Mas como comentei acima, estávamos hospedados ao lado de um aeroporto
super movimentado e sou apaixonado por aeronaves, sendo que das 22h até 00h o
desfile de aeronaves de grande porte é o pico... enfim isso me rendeu ir dormir
23h30 (risos), conforme falei acima, aí é que estava o perigo. No final de
contas, ter ido dormir nesse horário não me afetou em nada.
Acordei 5 horas
em ponto, consegui descansar super bem. Como não havia muitos hóspedes,
conversamos com a responsável da pousada sobre o evento e da possibilidade do
café da manha estar pronto logo cedo. Fomos para a mesa 05h10 e ela estava
farta. Comi 3 fatias de bolo, 2 copos de iogurte, 1 xícara de café, 1 mamão
(fruta inteira) e 2 bananas. Às 05h40 já estava tudo pronto e nos dirigimos ao
evento.

A retirada do
kit tinha sido sexta-feira e seria também ali no dia. Como falaram que iria ter
grande movimentação, haveria filas e etc., garanti logo o meu kit (fui o
primeiro a pegar) e acabei interagindo com a organização que, carinhosamente,
me apelidaram de: menino de Curitiba. Ao me deparar com a chegada de outros
atletas e suas bicicletas na transição, o psicológico apertou um pouco devido
às naves (Argon e118, BMC tm01, Cervélo, dentre outras marcas famosas), porém
acredito fortemente que entre a mesa da bike e o banco do selim há uma perna
(um atleta), ou seja, como o próprio dono de uma das naves afirmou: tenho uma
bike boa e cara, só que não tenho perna para ela. Isso é o que mais acontece,
pessoas comprarem bicicletas por status
Mantive o meu
equilíbrio e concentrei para a prova, fiz o devido mental. A natação foi num
lago, 2 voltas de 350m, bicicleta 4 voltas de 5km e corrida 2 voltas de 2,5km.
Como a prova foi dentro de uma base aérea (BASP) o espaço era um pouco
reduzido.
Natação: Já nadei em outros
lagos, entretanto, esse foi super apertado. Era um atleta em cima do outro, ali
na hora tive que mudar a estratégia e optei por nadar ao lado do pelotão (lado
direito dele). Diante disso, rendi algumas ultrapassagens.
Bike: A transição natação/bike era a uns 150/200 metros de
distância. Optei por calçar a sapatilha e ir correndo até a linha de montagem.
Logo de cara era uma subida, cerca de 1km, e novamente precisei mudar
estratégia, ainda mais que muitos saiam afobados (quebrando depois). Fiquei
encaixado num pelotão e fomos seguindo, porém não durou muito, até porque um
dos caras deu um sprint e disparou na frente desmontando o grupo (psicológico
bateu por ter visto o cara fazendo isso, pensei que estava fazendo algo errado,
pois ele já estava abrindo uma distância considerável de mim). Acabou que
ficamos apenas eu e outro triatleta com a Argon e118. Ele também era outro que
tinha uma nave e não rendia, acabei sendo o ponta e levei-o a prova inteira,
passando, inclusive, aquele atleta que deu um sprint abrindo uma grande
vantagem dele.
Corrida: O meu problema sempre é transição bike/corrida.
Parte que mais sinto durante a competição. Como já estou tendo ciência disso
estou sabendo lidar. Na saída da corrida a organizadora do evento até me motivou:
vai menino de Curitiba; isso me deu um gás, afinal estava sendo visado. De
cara, novamente, era uma subida. Mantive a cadência e fui como um trator. Nisso
o primeiro colocado estava passando por mim com meia volta à frente (pensei:
poxa, ele está meia volta à frente?) comecei a contar quantos atletas estavam
atrás dele. Acabei contando uns 20 (pensei de novo: 20? Como assim?) nisso 2 me
passaram, pois ainda acredito que minha performance no short não é 100% (só
consigo encaixar o ritmo no final da corrida). Como eram 2 voltas, tive de novo
a mesma subida, e vendo outros atletas caminhando nela, me motivei a subir com
garra. Já no final era uma descida, larguei o meu corpo, até porque estava
acabando a corrida. No funil da chegada um Senhor (categoria 40-49) deu um
sprint e foi a chegada mais emocionante da competição, pois fui atrás para
alcançá-lo (o público vibrou). Depois da chegada ele veio me agradecer, uma vez
que ele disse: você foi minha motivação para terminar a corrida, segui seu
ritmo e consegui manter bem a corrida. Fiquei feliz, claro.
Premiação: Estava crente que tinha ido bem (só que a
insegurança do resultado sempre bate), e por ser da categoria 20-29 (equivalente
20-24/24-29) iria ser uma das últimas a receber o resultado (eles não
divulgaram os resultados antecipadamente, só na hora do pódio mesmo). Como no ano
passado em quase todas as minhas competições fiquei em 3º. lugar, ficou na
cabeça essa posição: 3º lugar. Ansiedade foi aumentando e finalmente chegou na
minha categoria. Chamaram o 3º colocado, mas já tinha ido embora (não era o meu
nome), chamaram o 2º colocado e ele subiu no pódio (não era o meu nome), já
comecei a pegar minhas coisas pra ir embora, e nisso chamaram o campeão da
categoria: Cristiano Manhães (era eu, rs). Abri um largo sorriso e fique
surpreso, porque, realmente, conclui que desempenhei bem a prova. Um dos
organizadores até comentou: saiu de Curitiba para subir no lugar mais alto do pódio.
Recebi o troféu e um coletinho de ciclismo. Fui conversar com duas outras senhoras
- as mesmas que me entregaram o kit e me deram parabéns, beijos e abraços,
inclusive um convite para participar de outros eventos.
Tempos: o primeiro colocado era da seleção brasileira de triathlon
e fez em 1h05; o meu tempo fora 1h15. Geralmente, elite faz o short entre 50/55
mins, isso mostra o nível de dificuldade da prova, e fiquei há “apenas” 10 minutos
da elite. Vale ressaltar, assim como o Mauro falou: somos apaixonados e o
esporte é o hobby, não é o nosso “ganha pão”.
Conclusão: ter uma bike boa ou não, saber correr bem ou
não... tudo isso é relativo, o primordial está no que você quer. Claro que pode
ajudar, mas não é o que vai te fazer ganhar ou perder. Agora o próximo evento
será em Guaratuba-Paraná, onde atletas são mais competitivos e categorias pegam
forte! Nessa competição o espírito de equipe será a peça chave para o êxito.
Espero que o Mauro e eu consigamos trazer bons resultados e notícias.